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eSports desperta interesse de grandes marcas e clubes esportivos

Com grande crescimento nos últimos tempos, empresas e clubes de outros esportes se tornam cada vez mais presentes no esporte eletrônico

Por Reinaldo Chianchetti

Tendo uma grande oportunidade de promover sua marca e atrair um novo público, grandes empresas não ligadas ao mundo gamer e clubes de outros esportes passam a investir no esporte eletrônico e buscam a consolidação da marca neste mercado.

O mercado de games está em constante crescimento e se desenvolvendo cada vez mais, isso porque o consumo deste mercado se dá por novas tecnologias, novos jogos e a facilidade que as pessoas possam ter para jogar um jogo, por exemplo, no seu próprio celular. Sendo um mercado atrativo, a comunidade gamer cresce ao consumir assuntos ligados aos jogos competitivos, seja jogando casualmente, ou até mesmo profissionalmente, criando conteúdo para a internet e redes sociais ou assistindo influenciadores e transmissões de campeonatos nas plataformas de streaming.

E tudo que envolve a atração de um público que irá consumir no mercado, chama atenção de grandes marcas. Com a tendência de crescer ainda mais, as marcas, sejam pequenas ou gigantes, estão investindo nos eSports. Para se ter uma ideia, segundo a pesquisa realizada pela agência Newzoo, especializada em games e eSports, em 2019, o mercado de games deveria movimentar cerca de US$ 1,4 bilhão apenas em 2020.

A oportunidade de engajar e conectar os diversos públicos é vista com um ponto muito positivo, entre grandes marcas e clubes esportivos, e que este esporte pode promover. “A Portuguesa começou em 2020 uma nova gestão, com o principal e primeiro objetivo de resgatar a visibilidade e credibilidade da marca. A oportunidade apareceu e juntou ao desejo que já existia de colocar a Portuguesa no eSport. Além disso, é a oportunidade de apresentar a marca a uma nova geração e trazer novos torcedores” – diz Bruno Fernandes, gerente de marketing da Lusa.

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Seja na forma tradicional ou eletrônica, o esporte envolve paixão e move multidões. Isso faz com que o público que acompanha um time de futebol, por exemplo, se interesse pelos eSports e acompanhe seu clube do coração neste mundo, ou que o público gamer passe a consumir produtos de uma determinada empresa pois ela é a patrocinadora de seu time preferido no esporte eletrônico.

Com a proposta de promover sua marca ou seu crescimento, e contribuindo para que o esporte eletrônico também cresça, diversas ações são feitas a fim de se consolidar no mercado. As formas mais presentes e que vem ocorrendo são bem parecidas a de outros esportes, como: patrocinar torneios e atletas, patrocinar equipes estampando sua marca no uniforme do time, criando conteúdos em conjunto para as redes sociais, ou - como em casos recentes de sucesso – adquirir os naming rights (direito de nomeação) de uma equipe já existente. Outras marcas e clubes vão mais além e criam sua modalidade oficial e licenciada.

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Hoje a Havan Liberty tem um papel de patrocinador, mas um dos principais motivos foi se aproximar de um público que não tínhamos contato ou que não conseguíamos manter - diz Samuel Walendowsky, CEO da Havan Liberty

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Mas apenas ter sua marca estampada em camisas, patrocinar pontualmente equipes e torneios não são muito eficientes para se ter sucesso nos eSports e conquistar um novo público. “Para se aproximar do público gamer, montamos uma equipe com a cara da Havan. Assim foi formada a Havan Liberty, com a proposta de trazer mais profissionais para os eSports, trazer uma estrutura de qualidade aos jogadores e formar bons atletas”, comenta Samuel, CEO da equipe de eSports Havan Liberty. Atualmente, no cenário dos jogos a equipe da Havan tem grande destaque, contando com atletas importantes, como a Amanda Abreu, a "AMD22K" (jogadora profissional de CS:GO e criadora de conteúdo).

As equipes de eSports ligadas à marcas ou aos clubes esportivos estão seguindo uma linha de desenvolvimento parecida à de equipes que surgiram diretamente dos eSports têm. A Havan Liberty, por exemplo, se baseia em dois pilares: a construção da marca e os resultados competitivos. A equipe fornece toda uma estrutura profissional e que dá suporte aos atletas poderem se desenvolver, ter atitudes profissionais, vencer campeonatos e jogar em alta performance, assim destacando a marca do time. Para isso, conta com  profissionais  de suporte aos gamers, como possuir em sua equipe: médicos, fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos, além da equipe contar com dois Gaming Office (local reservado para os atletas utilizarem como uma forma de escritório), um em São Paulo (SP) e outro em Brusque (SC) e apartamentos nessas cidades para que possam ficar alojados. A equipe catarinense está construindo um novo Gaming Office, definido pelo próprio time como “um dos maiores do Ocidente”, em São Paulo e terá aproximadamente 2400m² de área construída.                  

Nós temos um grande propósito que é de transformar bons jogadores em atletas de alta performance, comenta Samuel Walendowsky

fonte: Havan Liberty. Vídeo sobre o novo Gaming Office que está sendo construído em SP.

A entrada de grandes marcas e clubes não beneficia somente quem investe, mas também o esporte. A Havan tem planos para investir em melhorias e manutenção de sua marca nos eSports e a previsão é que seja investido aproximadamente R$ 10 milhões nos próximos cinco anos, segundo o CEO da Havan Liberty em entrevista à nossa equipe. 

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Corinthians e Flamengo são referências para outros clubes

“Por conta de toda a movimentação do cenário, que está crescendo e muitos clubes entrando, ainda mais por conta de dois já terem muito sucesso neste mundo, como o Corinthians e Flamengo” diz André, CEO do Remo eSports, sobre a entrada do clube no esporte eletrônico.

E ao contrário do que alguém possa imaginar, estes clubes não estão presentes apenas no futebol eletrônico. Os jogos que as equipes estão presentes variam. O Corinthians, por exemplo, tem uma equipe no game battle royale Free Fire e que conquistou espaço rapidamente na comunidade, chegando a conquistar o principal título no modo competitivo do jogo, o World Series de 2019, o campeonato mundial.

O interesse em ter seu clube disputando torneios no esporte eletrônico cresceu tanto que, das equipes de futebol que disputam o campeonato brasileiro de 2021, o número de clubes com times oficias de eSports quase triplicou nos últimos três anos.

Investir no esporte eletrônico, independente da forma de trabalhar, ter a marca relacionada e exposta no meio digital “pode trazer muitos benefícios, como novos torcedores, influência em negociações com patrocinadores, exposição da marca” – comenta Bruno. “Atrair essa geração mais nova pode ser um bom fator para o crescimento e consolidação da equipe e da marca junto ao mercado de games”, diz o CEO do Remo.

De fato, os "joguinhos" há um bom tempo vêm deixando de ser apenas uma diversão e consolidando-se cada vez mais como modalidade esportiva, profissional ou não, e a entrada de grandes clubes e marcas que não eram ligadas ao meio eletrônico, beneficiará muito ambas as partes e o esporte eletrônico só tende a crescer e atrair mais pessoas.

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